domingo, 16 de novembro de 2008

Mais uma ameaça

Para reflexão e, quem sabe, uma tomada de posição, após uma semana em que as queixinhas contra os jornalistas surgiram da boca de vários protagonistas da vida pública regional.
A última, de ontem à noite, teve a assinatura de Rui Alves, o presidente do Nacional. Fica apenas esta passagem: "Os nacionalistas têm que ser também mais guerreiros. Nós temos que nos mostrar hostis com a comunicação social. A comunicação social que vai ao estádio fazer a cobertura tem que saber que nós somos hostis a essa comunicação social que nos maltrata dia a dia de forma mentirosa, muitas vezes caluniosa. Eles têm que saber que se for preciso também somos guerreiros, também lhes damos duas bofetadas quando fazem essas atoardas em relação ao nosso clube. Nós temos que estar mobilizados. Não há que ter medo. Essa coisa do medo para mim não existe. Existe é orgulho de valores, de história, daquilo que somos enquanto instituição, daquilo que fazemos pelos nossos jovens."

6 comentários:

Anónimo disse...

Quando qualquer meio de comunicação social fala bem, eles (clubes/presidentes) adoram, ficam vaidosos, até com brilho nos olhos, quando as coisas correm mal ou quando a verdade (factos) são relatados, por vezes pode custar ler e/ou ouvir. Eu compreendo a diferença entre a importância que tem de se dar a um e outro clube (Marítimo e Nacional), mas por vezes essa diferença é suspeita e não fica isenta de culpas, para o bem e para o mal. Apesar de tudo o retromencionado, nada justifica estas ameaças!

Anónimo disse...

O Sindicato dos Jornalistas vai processar judicialmente o presidente do Nacional por incitamento à violência e pede às empresas de comunicação social a fazer o mesmo.

Andesman disse...

Paulo Bento não foi tão longe, ou pelo menos não foi tão explícito.

Ricardo Miguel Oliveira disse...

Eis a reacção do Sindicato


1. A Direcção Regional da Madeira do Sindicato dos Jornalistas vem publicamente repudiar e condenar o inadmissível, criminoso e vil incitamento à violência contra jornalistas protagonizado pelo Presidente do Clube Desportivo Nacional, no passado sábado, durante um jantar do Grupo “Os Alvi-negros”.



2. Se o sr. eng.º Rui Alves tem motivos de queixa dos órgãos de Comunicação Social, deve recorrer aos mecanismos legais e órgãos adequados, em vez de assumir um comportamento que configura uma tentativa de intimidação aos profissionais da Comunicação Social, logo um atentado à liberdade de informação. Atendendo à extrema gravidade das declarações produzidas pelo Presidente do CDN, com uma clara ameaça à integridade física dos jornalistas e um criminoso incitamento à violência e agressão, o seu autor será responsabilizado criminalmente não só pelas suas declarações como também pelo que venha a acontecer no futuro em termos de incidentes.



3. Em conformidade, a Direcção Regional da Madeira do Sindicato dos Jornalistas informa que irá proceder judicialmente contra o Sr. Eng.º Rui Alves, remetendo as suas declarações para o Procurador da República na Madeira, responsável pelo MP na Região, por forma a que aquele dirigente seja chamado a responder e a assumir as responsabilidades pelos crimes de ameaça, coacção e instigação pública a um crime, tipificados no Código Penal pelos artigos 153.º, 154.º e 297.º, respectivamente.



4. Face às afirmações proferidas pelo dirigente desportivo e não sendo esta a primeira vez que se registam lamentáveis episódios de pressão sobre jornalistas nas instalações do Clube Desportivo Nacional, o Sindicato dos Jornalistas decidiu também agir com participações junto das seguintes entidades:

- Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC);

- Liga Portuguesa de Futebol Profissional (Liga de Clubes);

- além de dar conhecimento ao Clube Nacional de Imprensa Desportiva (CNID) e ao Sindicato de Jogadores de Futebol;



5. Perante as ameaças do Presidente do CDN, a Direcção Regional do SJ insta a empresa do Diário de Notícias da Madeira a proceder de igual modo por forma a defender a honra e dignidade dos jornalistas do DN, cabendo ainda ao respectivo Conselho de Redacção uma eventual tomada de posição sobre o sucedido. Os jornalistas têm a obrigação de denunciar estes comportamentos violadores do Estado de Direito e da própria Democracia, rejeitando todos os ataques ao direito inalienável da liberdade de informar.





6. Porque a instituição e os adeptos do Clube Desportivo Nacional continuam a merecer todo o nosso respeito, a Direcção Regional da Madeira do Sindicato dos Jornalistas desafia os restantes membros da direcção do clube a se demarcarem do condenável incitamento à violência realizado pelo Presidente, em honra da longa história e do prestígio da instituição desportiva. Fazemos ainda um apelo directo aos sócios e adeptos do Clube Desportivo Nacional e em particular ao Grupo “Os Alvi-negros”, para que em nome do desportivismo e do respeito pelos mais elementares princípios do Estado de Direito, façam respeitar os direitos dos profissionais da Comunicação Social em exercício de funções durante os eventos desportivos.



7. Reiterando um anterior apelo nacional do Sindicato dos Jornalistas sobre incidentes no futebol, entendemos ser oportuno convocar todos os jornalistas, para que resistam colectivamente a quaisquer acções de discriminação, intimidação ou agressão, assim como para que não deixem de actuar, imediata e solidariamente, em defesa dos seus camaradas de profissão, designadamente:



a) Abandonando as conferências de imprensa, quando jornalistas ou órgãos de informação forem impedidos de entrar ou de fazer perguntas;



b) Auxiliando os jornalistas em quaisquer dificuldades, inclusivamente procurando protecção policial nos casos de intimidação ou agressão;



c) Participando às autoridades policiais, ao SJ e à ERC quaisquer actos de que tenham sido vítimas e disponibilizando-se para apoiar os jornalistas que o tenham sido, especialmente através do seu testemunho.



8. Por fim, o Sindicato dos Jornalistas exorta todos os actores do fenómeno desportivo – dirigentes, técnicos, atletas e adeptos – a manterem os padrões de respeito pela liberdade de informação, abstendo-se de quaisquer atitudes que os ponham em risco. Tal responsabilidade cabe especialmente à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Porque são muitas e variadas as ameaças, todos temos que proteger a liberdade de informação, pois ao fazê-lo também defendemos um pilar da Democracia.









Funchal, 17 de Novembro de 2008



A Direcção Regional da Madeira

do Sindicato dos Jornalistas

Ricardo Miguel Oliveira disse...

Em Lisboa já passaram a vias de facto!
Um repórter de imagem ao serviço da RTP foi agredido hoje, 17 de Novembro, junto do DIAP de Lisboa. Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) condena a agressão e insta as autoridades a garantir a segurança dos profissionais dos média.
É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:

Agressões a jornalistas são intoleráveis

1. O Sindicato dos Jornalistas tomou conhecimento de que um repórter de imagem ao serviço da RTP foi agredido hoje, junto do DIAP de Lisboa, quando trabalhava numa emissão em directo relacionada com a detenção de presumíveis elementos de uma claque de futebol.

2. O Sindicato condena veementemente a intolerável agressão verificada, a qual não pode ter a menor aceitação num estado de direito democrático e muito menos para impedir jornalistas de realizarem a sua missão profissional.

3. O SJ manifesta a sua solidariedade para com o jornalista agredido e exorta as autoridades a apurar todas as responsabilidades e a criar condições de ordem pública a fim de preservar a integridade dos profissionais em serviço nos locais públicos.

Duarte Gouveia disse...

O apelo à violência não é novo na Madeira...

Ainda esta semana o Presidente do Governo Regional fê-lo em Câmara de Lobos...

http://www.duarte-gouveia.info/2008/11/alberto-apela-a-violencia/

Quando o exemplo vem de cima...