quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As mudanças na tribo

Lê-se no 'Público' de hoje: O número de jornalistas em Portugal multiplicou-se por seis desde meados dos anos 80. A velha tribo que aprendeu a profissão "na tarimba" deu lugar a redacções com horários de trabalho e vida lá fora para lá do jornalismo, mas as preocupações com o que será o futuro do profissão estão cada vez mais vivas.
E sobre o futuro, que é por ele que vamos, há umas boas teses no texto da Inês Sequeira. Esta sobressai. "Os autores dos blogues concorrem com os profissionais ao dar notícias antes na área das interpretações dos factos e denunciando erros cometidos por jornalistas". Segundo Adelino Gomes, "a blogosfera veio questionar o papel central que ocupava o jornalismo no espaço público". Mas quem é que tem medo da intervenção dos cidadãos no espaço mediático?

5 comentários:

Donato Paulo Vares Macedo disse...

Gostei dessa reflexão trazida pelo Ricardo Oliveira. Este espaço a que commumente designamos de "blogosfera" constitui um sério desafio à produção de conteúdos e à informação nos conceitos tradicionais dos media. Esta profusão de opinião e informação assusta fundamentalmente quem exerce o poder, que nutre um particular apetite no domínio informativo e na criação de opinião/crítica. Tudo isto está forçar o reposicionamento dos media e do marketing político, perante um público cada vez mais emancipado, pretensamente esclarecido, com muita informação disponível, mas quiçá, não necesariamente BEM INFORMADO.

Miguel Ângelo disse...

Ainda nem vi os índios...(LOL)Quem são eles?

Paulo Gomes disse...

As pessoas não vão deixar de ver televisão, ouvir rádio ou ler jornais e revistas, só porque alguns decidiram meter umas "cachas" nos blogs. Basta ver o número de comentários que estão registados nos posts de muitos blogs, para inferirmos que a quantidade e a qualidade de visitantes. Não constituem qualquer ameaça ao "protagonismo" dos jornalistas na divulgação da notícia, podendo mesmo servir de espoleta ou ajuda ao artigo/trabalho do profissional.
Pode dar-se até, como exemplo, este blog: derivado de um programa que creio ter muita audiência´, contam-se muito poucos comentários; os madeirenses até podem consultar, mas a massa crítica aderiu mais às cartas dos leitores do que ao teclado do computador; a blogosfera (não a globosfera do AJP...eh.eh.eh)conta com as visitas de alguns anónimos que se dividem por "laranjas e não laranjas", com políticos geralmente conotados com o PS e outros não políticos e não conotados com qualquer ideologia que tenha, neste momento, assento no poder ou na discussão do mesmo.
Em relação ao facto do jornalista hoje ser muito "analista", não estranho, porque desde que dispa a camisola, funciona como uma opinião sempre com o cunho da subjectividade inerente.

Anónimo disse...

O Ricardo, que de facto se revela um jornalista atento aos sinais, deixa bem claro que o jornalismo se faz em parceria com o cidadão. Cá estaremos para cooperar.

Anónimo disse...

Alguma vez os jornalistas deixaram de fazer jornalismo em parceria com os cidadãos? Os únicos profissionais que vivem divorciados dos cidadãos são alguns editores e chefes de redacção que vivem num mundo à parte, amancebados com os assessores de imprensa e em uniões de facto com os gabinetes ministeriais...